1º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Vitória (ES)
- Ano de 1975, entre os dias 6 e 8
- Tema: CEBs: Igreja que nasce do povo pelo Espírito de Deus
- Participaram cerca de 70 pessoas, representando várias dioceses de 12 estados diferentes
A década de 1960 foi marcada pelo surgimento das Comunidades Eclesiais de Base; já a década subsequente, de sua expansão e fortalecimento. No princípio, muitas das comunidades de base eram experiências isoladas no interior das paróquias ou dioceses que as tomavam como prioridade pastoral. Com sua multiplicação e diversificação, brotou a necessidade de uma maior articulação entre as comunidades.
A ideia do primeiro Intereclesial de CEBs nasceu de uma conversa informal entre o bispo auxiliar de Vitória, Dom Luiz Gonzaga Fernandes, o historiador Eduardo Hoornaert e o dominicano Frei Betto num banho de praia em janeiro de 1974.
Estavam presentes 5 bispos e vários animadores e animadoras leigas e leigos e agentes de pastoral das comunidades de várias partes do país.
O tema do Encontro foi: Uma Igreja que nasce do povo pelo Espírito de Deus”. A expressão hoje amplamente conhecida “Igreja que nasce do povo” surgiu neste intereclesial, que trazia em seu bojo uma nova eclesiologia, nascida de uma nova consciência a partir de um novo jeito de ser Igreja.
Teve como objetivo “delinear o perfil e descobrir as características futuras da Igreja nova que nasce no meio do povo, principalmente através das comunidades eclesiais de base”.
Foram dias de grande troca de experiências, reflexões e orações. Resultou, no campo eclesiológico, num questionamento: como fazer nascer da Igreja clerical uma Igreja popular, numa nova afirmação da Igreja enquanto Povo de Deus? No aspecto político, reforçou-se a necessidade de uma presença mais significativa da Igreja na luta pela libertação do povo. Cultura e religião populares foram outros temas de acaloradas discussões.
A novidade da leitura popular da Bíblia, em sua dimensão evangelizadora, entrava em conflito com a tradição da religiosidade popular, várias vezes considerada como meio de alienação. Mas, ao cabo do encontro, surgiu o propósito de superação da exploração da religião popular, bem como a superação da indiferença ou destruição com relação a ela.
2º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Vitória (ES)
- Ano de 1976, entre os dias 29 de julho e 1° de agosto
- Tema: Igreja, povo que caminha
- Participaram cerca de 100 pessoas, representando 24 dioceses de 17 estados brasileiros
Como no primeiro encontro, a preparação se deu solicitando-se às comunidades que preparassem relatórios contando os passos da caminhada, tendo em vista a pedagogia libertadora nas CEBs .
Dos 100 participantes, a metade representava as comunidades (base) e a outra metade era constituída por agentes de pastoral, bispos e assessores. Participaram 13 bispos brasileiros e 3 convidados estrangeiros, sendo 2 do México.
O tema foi: Igreja, povo que caminha. A partir daí começa-se a delinear a identidade das CEBs; passa-se a utilizar o jargão “caminhada”. Identificadas as semelhanças entre si, as várias comunidades eclesiais de base passam a se tratar como companheiras de caminhada. As CEBs dão seus primeiros firmes passos, tendo os pequenos à frente.
3º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em João Pessoa (PB)
- Ano de 1978, entre os dias 19 e 23 de julho
- Tema: Igreja: povo que se liberta
- Participaram cerca de 200 pessoas, representando 47 Igrejas do Brasil
Comemorou 10 anos de Medellín, que deu à Igreja latino-americana uma dinamicidade pastoral libertadora, bem como partilhou da expectativa da Conferência de Puebla, que viria a ocorrer em janeiro de 1979.
Dos aproximadamente 200 presentes, 2/3 vinham das bases, representando 47 Igrejas do Brasil. Participaram 17 bispos, 9 assessores e assessoras e 18 agentes de pastoral. Dentro do espírito ecumênico, estiveram presentes um assessor (Jether Pereira Ramalho) e 3 outros representantes dos evangélicos. Participaram ainda, o cacique xavante Aniceto, além de outros convidados do México, Bélgica e Nova Iorque.
Neste Encontro a participação popular foi muito intensa. O tema do Encontro já apontava para este novo aspecto: Igreja: povo que se liberta. Depois de tantos anos silenciado, o povo fiel e oprimido expressava seu clamor. Como povo sujeito da construção da sociedade e da Igreja, impunha-se com a força de sua palavra, união e coragem.
4º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Itaici (SP)
- Ano de 1981, entre os dias 20 A 24 de abril
- Tema: Igreja, povo por oprimido que se organiza para a libertação
- Participaram cerca de 280 pessoas, de 71 dioceses e de 18 estados do Brasil
Tanto a conjuntura política quanto a eclesiástica internacional sofreu transformações significativas no início dos anos 80 que repercutiram na Igreja no Brasil. Especialmente a partir do pontificado de João Paulo II (1978), começa a tendência de afirmação de uma nova identidade católica, que buscava um novo equilíbrio na Igreja, reordenando o que o Concílio Vaticano II revolvera. O episcopado nacional, em seu grupo conservador, já não tinha muita simpatia pelas CEBs, o que suscitava muitos questionamentos.
Como no encontro anterior, as bases organizaram e participaram, levando à frente a coordenação e a condução do Encontro.
Participaram em torno de 280 pessoas, de 71 dioceses e de 18 estados do Brasil. Deles, 184 eram representantes das bases, 56 eram agentes de pastoral, 15 eram assessores e 17 bispos que se fizeram presentes durante todo o Encontro.
Dentre os objetivos conforme o tema, destacam-se: a troca de experiências, a celebração da fé e o aprofundamento crítico das lutas reivindicatórias, sindicais e político-partidárias.
5º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Canindé (CE)
- Ano de 1983, entre os dias 4 a 8 de junho
- Tema: CEBs: povo unido, semente de uma nova sociedade
- Participaram cerca de 500 pessoas, de 134 dioceses de quase todos os estados do Brasil
Dos participantes 234 eram membros da base, 60 eram agentes de pastoral; 30 eram bispos, 15 assessores, 16 observadores, 7 da imprensa e 114 das equipes de serviço.
A troca de experiência e as reflexões levaram à conclusão de que, além das dificuldades externas que as CEBs enfrentavam, existiam também dificuldades internas, ligadas às precárias condições de vida da base popular. Na Carta de Canindé, os participantes manifestaram seu desejo de conhecer e combater as causas da desgraça social.
As liturgias e celebrações ocuparam um lugar de grande importância no Encontro. Todos os dias, de manhã e de tarde, aconteciam celebrações com grande participação e criatividade, elaboradas pelos próprios participantes.
6º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Trindade (GO)
- Ano de 1986, entre os dias 21 a 25 de julho
- Tema: CEBs, Povo de Deus em busca da Terra Prometida
- Participaram cerca de 1647 pessoas
Dos participantes 742 eram representantes das bases, 203 agentes de pastoral, 30 assessores, 51 bispos, 16 representantes de Igrejas evangélicas, 10 representantes dos povos indígenas, 56 observadores latino-americanos, 35 observadores nacionais, 17 observadores de outros países, além do pessoal da imprensa, documentação e equipes de serviço.
O tema ligado ao tema da Campanha da Fraternidade de 1986 como também provocado pelo agravamento da situação agrária no Brasil. Para encaminhar a preparação do Encontro foi criada em 1985, em nível regional, uma Comissão Ampliada. É significativo assinalar a origem da Ampliada Nacional, constituída nos preparativos do Encontro de Trindade, como grupo de apoio e serviço de preparação à Igreja que sediava o Intereclesial. Sua criação foi uma maneira de se garantir a presença dos regionais como um trabalho coordenado nacionalmente e de se garantir também a preservação da memória dos encontros.
O novo jeito de ser Igreja que caracteriza as CEBs foi um dos temas de reflexão e aprofundamento que surgiram neste encontro. Clodovis Boff destacou três ideias fortes que definiram este novo modo de ser Igreja: a) A Palavra de Deus, b) a participação; c) a luta. A analogia da roda serviu para ele demonstrar melhor a experiência das comunidades com conjunto organizado: “O eixo é a Palavra de Deus. Os raios são os ministérios, as tarefas. O aro são as lutas da comunidade, que fazem o povo caminhar na história”.
Outro aspecto relevante do VI Encontro foi a reflexão sobre a especificidade da luta das mulheres, negros e indígenas. É um marco na caminhada das CEBs, pois se reconhece agora outros planos de opressão social: a racial, a étnica e a de gênero (sexual). Dois outros temas assumirão um lugar de destaque nos encontros subsequentes: a questão latino-americana e o ecumenismo.
7º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Duque de Caxias (RJ)
- Ano de 1989, entre os dias 10 e 14 de julho
- Tema: CEBs: povo de Deus na América Latina a caminho da libertação
- Participaram cerca de 1106 delegados brasileiros
O sétimo encontro Intereclesial aconteceu num delicado momento da conjuntura eclesial, quando havia suspeitas e acusações contra teólogos – Leonardo Boff e Carlos Mesters; desarticulação de projetos pastorais de largo alcance que estavam em sintonia com a causa popular; algumas autoridades eclesiásticas começaram a publicar artigos eivados de interrogações sobre a experiência das CEBs.
Como temas de conteúdo, foram apontados a eclesialidade das CEBs, o seu rosto latino-americano e sua relação com a libertação. Outras questões, consideradas pertinentes, foram destacadas: a solidariedade latino-americana, fé e política, a mística libertadora, a caminhada ecumênica, a questão urbana, a maior articulação das CEBs, dentre outras.
Entre os participantes, estavam 1.106 delegados regionais, 85 bispos católicos, 39 assessores, 61 membros da Ampliada Nacional e Equipe Central, 120 delegados de 12 Igrejas evangélicas, incluindo 43 pastoras e pastores e 5 bispos, 30 representantes dos povos indígenas, 83 participantes de 19 países da América Latina e 92 convidados entre nacionais e estrangeiros. Somando estes aos representantes da imprensa e membros das equipes de serviço, perfez-se um total de mais ou menos 2.550 pessoas.
Apesar da delicada situação eclesial, o VII Intereclesial foi uma expressão viva do apoio da Igreja brasileira à experiência eclesial das CEBs. A presença de quase 90 bispos católicos, de toda a presidência da CNBB, de tantos leigos, religiosos, sacerdotes e pastores de diversas denominações religiosas já sinalizava a aprovação e esperança no vigor das CEBs como presença de vida para toda a Igreja universal.
A questão ecumênica foi um dos destaques no VII Encontro Intereclesial. Com relação aos povos indígenas, a aparição de um rosto novo de Deus através de cada povo indígena foi significativa. A dimensão celebrativa foi outro traço marcante.
8º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Santa Maria (RS)
- Ano de 1992, entre os dias 08 a 12 de setembro
- Tema: CEBs: Culturas oprimidas e a evangelização na América Latina
- Participaram cerca de 2238 delegados brasileiros
Os anos da década de 1990 foram testemunhas de grandes transformações sócio-políticas e econômicas. Colapso do comunismo no Leste Europeu (1989); adoção da política neoliberal também no Brasil; crise da ideia de uma nova sociedade, tanto nos movimentos populares quanto nas CEBs; continuidade do projeto centralizador levado em frente pela Santa Sé, desde a década de 1980.
O oitavo Encontro Intereclesial realizou-se quando toda a sociedade civil unia-se contra a corrupção do governo Collor, que acabou levando ao impeachment. A situação eclesiástica era, como vimos, igualmente desfavorável.
Além dos delegados brasileiros representando suas comunidades, contou com a participação de 88 de outros países da América Latina e Caribe. Entre os participantes, 1469 eram leigos, 335 religiosos, 98 bispos (dos quais 66 católicos), 50 assessores, 106 evangélicos (dos quais 35 pastoras e pastores), 43 indígenas, 1 pajé, 1 mãe de santo, além das 40 equipes de serviço.
O tema da cultura (CEBs: Culturas oprimidas e a evangelização na América Latina) como eixo nucleador do Encontro, definido em virtude da sintonia com o tema da IV Assembleia Episcopal Latino-americana em Santo Domingo, que se realizaria um mês após o Intereclesial, acrescentou um elemento novo na tradição dos Intereclesiais. Além disso, a temática da inculturação nas CEBs foi causa de um certo constrangido conflito, pois tocava na questão de que a Igreja, com relação à cultura se reveste de um papel opressor, já que ela se mostra marcada por uma cultura branca, machista, ocidental e que, em seus centros de poder, sente dificuldade com a inculturação profunda da fé, da liturgia, da canonística no mundo negro, ameríndio e feminino.
O oitavo Encontro demonstrou um amadurecimento litúrgico e espiritual das CEBs. Calaram-se os discursos para que a Palavra soasse.
9º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em São Luís do Maranhão
- Ano de 1997, entre os dias 15 a 19 de julho
- Tema: CEBs: Vida e Esperança nas Massas
- Participaram cerca de 3000 delegados
Foi o primeiro encontro dentro do perfil definido no diálogo CEBs-CNBB: católico, porém aberto ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso.
O contexto social estava marcado pela hegemonia do neoliberalismo, que provocava o recuo de todo pensamento alternativo. O contexto eclesial era o do pós-Santo Domingo, marcado pela consolidação do centralismo eclesiástico.
Os pontos salientes, tratados no Intereclesial foram os seguintes: Catolicismo Popular, Raízes indígenas e africanas da religião popular brasileira, Pentecostalismo, CEBs e o povo negro no Maranhão, O Movimento Popular, CEBs e massa, Cultura Indígena e Cultura de Massa.
Nos dizeres de Reginaldo Veloso, “o 9° Intereclesial das CEBs não pôde ser menos do que um amplo e vibrante ‘Magnificat’”.
10º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Ilhéus, na Bahia
- Ano de 2000, entre os dias 11 a 15 de julho
- Tema: CEBs: Povo de Deus, 2000 anos de Caminhada
- Lema: CEBs: Memória e Caminhada, Sonho e Compromisso
- Participaram cerca de 3036 pessoas
Três momentos formaram o eixo metodológico das reflexões: a) memória, recuperando a caminhada pessoal de cada participante; b) sonhos, despertando a utopia de uma Igreja e uma sociedade novas; c) compromisso para com a Igreja e para com a sociedade.
Outras questões surgiram e foram motivo de atenção, como a questão das celebrações das CEBs e a Eucaristia; a diferença do ecumenismo no Encontro e nas bases; a tensão entre CEBs e Renovação Carismática; a relação entre CEBs e clero, destacadamente o clero mais novo – que se compromete cada vez menos com as CEBs; a questão indígena.
Dos participantes, 1565 homens e 1471 mulheres. 2395 delegados. Dos 72 evangélicos presentes, 4 eram bispos, 37 pastores(as), 31 leigos(as). Participaram ainda 45 pessoas da Ampliada Nacional, 62 da América Latina, 64 assessores(as), 63 bispos católicos, 7 das religiões afro-brasileiras e 65 indígenas .
O tema resumiu o olhar voltado para o passado, levantando a herança evangélica vivida pela Igreja nos seus 2000 anos de existência e pelas CEBs nos seus 3 decênios de existência no Brasil. Para o futuro se projetaram 3 perguntas: O que conservar integralmente? O que manter, mas com alterações? O que criar de novo?
No décimo Encontro apareceu explicitamente a centralidade da Bíblia. A Bíblia é lida, celebrada e torna-se fonte de vida. Assim sendo, foram pedidos cursos bíblicos. O trabalho do CEBI foi amplamente reconhecido.
De resto, podemos constatar que há três características que marcaram presença nos Intereclesiais, de maneira ora mais ora menos acentuadas, a saber: a) a referência à Palavra de Deus, considerada sempre como o núcleo fundante e elemento de identidade e da vida das CEBs. b) As celebrações, como pontos altos dos encontros. c) A comunhão eclesial, existente, seja por causa da presença de padres e bispos, seja pela maneira com a qual as CEBs testemunhavam sua relação com a estrutura eclesiástica e seus pastores.
11º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Ipatinga (MG)
- Ano de 2005, entre os dias 19 a 23 de julho
- Tema: CEBs, Espiritualidade Libertadora, com o lema
- Lema: Seguir Jesus Cristo no compromisso com os Excluídos
- Participaram cerca de 3806 participantes
Em busca de caminhar alicerçados na espiritualidade libertadora vivida com mais profundidade a partir da experiência.
Dos participantes, 3.219 eram delegados, 112 assessores, 89 indígenas, 288 convidados, sendo aproximadamente 3.000 leigos e leigas, 420 religiosas e religiosos, 380 padres, 50 bispos católicos e 2 anglicanos e a participação de 70 pessoas vindas de outros países.
Participaram ainda 48 pessoas de outras onze Igrejas cristãs, das quais 23 eram pastoras e pastores. Sendo acolhidos também representantes de 32 povos indígenas e de outras religiões e culturas afro-brasileiras. Em união com os 250 jovens das Pastorais de Juventude de todo Brasil, acampados no Parque Ipanema, em comunhão com os participantes do encontro.
Para valorizar, ao máximo, a riqueza da experiência trazida pelas pessoas, estas foram organizadas em seis blocos chamados de Locomotivas, subdivididas em vagões que aprofundaram o tema da Exclusão, relacionando as CEBs com a Espiritualidade libertadora; com a Dignidade humana e a Promoção da Cidadania; com a Formação de Novos Sujeitos, capazes de contribuir para construção de um outro mundo possível; com a Via Campesina, tendo presente a ecologia, a questão do uso da terra e da água no campo e nas cidades, a reforma agrária; e, finalmente, com a Educação Libertadora.
12º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Porto Velho (RO)
- Ano de 2009, entre os dias 21 a 25 de julho
- Tema: CEBs: Ecologia e Missão
- Lema: Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia
- Participaram cerca de 3010 delegados
Os participantes vindos de 26 estados e do Distrito Federal, sendo 1.234 mulheres, 940 homens. Os bispos somaram 56, os padres 331, as religiosas 197, os 41 religiosos e os 38 povos indígenas.
Os milhares de participantes saíram e chegaram do “porto”, seguindo para os 12 “rios” e depois para as 144 “canoas”.
Nos rios, espaços, cedidos por escolas e igrejas, foram batizados de rio Araguaia, rio Tapajós, rio Tocantins, rio Guamá, rio Juruá, rio Gurupi, rio Itacaiúnas, rio Madeira, rio Guaporé, rio Jari, rio Purus e rio Oiapoque. Nesses espaços ocorreram estudos, debates, mística e leitura orante da Bíblia, tudo temperado com muito canto e alegria.
Foi nesses “rios” que aprendemos sobre os gritos e lutas que vêm da Amazônia e também os gritos e lutas que vêm dos outros biomas brasileiros – Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas – e da América Latina e Caribe. Finalmente, conhecemos, em mutirão, quais são os sinais existentes na construção da tão sonhada “Terra sem males” e de “Um novo céu e uma nova terra”. Em apertada síntese, podemos dizer que os gritos e lutas partilhadas no 12º Encontro Intereclesial de CEBs podem ser agrupados em cinco grandes gritos: o grito da terra, o grito das águas, o grito das cidades, o grito das florestas, o grito das comunidades tradicionais.
“Gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares não importantes, conquistam coisas extraordinárias”. Essa frase, proferida por Dom Moacyr Grechi, arcebispo da arquidiocese de Porto Velho, dão-nos a certeza de que somente a partir dos pequenos, com os pequenos, na base da Igreja e da sociedade, poderemos criar em uma vida melhor, mais justa e mais fraterna.
13º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Juazeiro do Norte – Diocese de Crato (CE)
- Ano de 2014, entre os dias 07 a 11 de janeiro
- Tema: Justiça e Profecia a serviço da vida
- Lema: CEBs, romeiras do Reino no campo e na cidade
- Participaram cerca de 4036 pessoas
Dos participantes do encontro 2.248 mulheres e 1.788 homens, 72 bispos, 232 padres e 146 religiosos e religiosas, 75 lideranças indígenas; 20 membros de outras Igrejas cristãs, 35 pessoas pertencentes a outras religiões, 36 estrangeiros e 68 assessores e membros da coordenação ampliada.
Pela primeira vez na história, um Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base recebe uma mensagem de um papa. A mensagem do Papa Francisco dirigida aos participantes do 13º Intereclesial trouxe muita alegria e renovou a esperança de uma Igreja pobre e dos pobres comprometida com a justiça e a profecia a serviço da vida.
Na mensagem, o papa afirma que as CEBs “trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja” e assegurou suas orações para que o Intereclesial seja um encontro abençoado.
Sobre o lema do evento, o papa disse que deve ser como uma chamada para que as CEBs assumam cada vez mais seu papel na missão evangelizadora da Igreja. “Todos devemos ser romeiros, no campo e na cidade, levando a alegria do Evangelho a cada homem e a cada mulher”, acrescenta Francisco.
No Ginásio poliesportivo, denominado Caldeirão Beato José Lourenço, ecoaram os testemunhos de uma igreja martirial, encarnada e comprometida com a causa dos pobres: povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais sofredores e com a causa do ecumenismo na promoção da cultura da vida e da paz, do encontro.
Toda esta riqueza de partilha foi aprofundada e vivenciada nos grupos em diversas escolas, ranchos e chapéus, situadas em Juazeiro do Norte e no Crato, nas visitas missionárias às famílias e a algumas instituições, na celebração em memória dos profetas e mártires da fé, da vida, dos direitos humanos, da justiça, da terra e das águas culminando com a grande romaria no Horto aos pés do Pe. Cícero Romão Batista, o patriarca de Juazeiro do Norte e da Nação Romeira.
14º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Londrina (PR)
- Ano de 2018, entre os dias 23 a 27 de janeiro
- Tema: CEBs e os desafios do mundo urbano
- Lema: “Eu vi e ouvi os Clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7).
- Participaram cerca de 3300 delegados.
O Intereclesial aconteceu em um forte momento de ameaça à democracia brasileira e perdas de direitos, soma a crise de representatividade política, que pôde ser sentido no encontro.
O Intereclesial teve 3.300 delegadas e delegados vindos/as de todo Brasil e países da América Latina. Também estiveram presentes 60 bispos, afirmando assim a importância das CEBs para a caminhada da Igreja.
Os clamores e desafios apresentados levou a experimentar a experiência de Moisés na sarça ardente, ao ser desafiado pelo Deus libertador, que viu, ouviu e, ao descer, o enviou para libertar o seu povo do sistema de escravidão que aprisiona os corpos e coloniza as mentes.
Na vivência de uma Igreja em saída, os cristãos leigos e leigas, padres, religiosos, religiosas, diáconos, pastores e pastoras, bispos, lideranças de povos originários e tradicionais, se colocam numa postura de diálogo, em que cada pessoa tem algo a aprender com a outra e todas à escuta do ‘Espírito da verdade’ (Jo 14, 17), procurando reconhecer o que Ele ‘diz às Igrejas’ hoje (Ap 2, 7).
As mudanças culturais, os desafios e clamores da sociedade globalizada e da cultura urbana, o desmonte das estruturas democráticas do País, a perda dos direitos civis e sociais e a degradação da dignidade humana e da criação levam as CEBs a assumirem o apelo do Papa Francisco.
Unido espiritualmente ao 14º Intereclesial, Papa Francisco invocou “ do Altíssimo a abundância dos seus dons e luzes sobre todos os presentes, de modo que, ouvindo o clamor dos pobres e famintos de Deus, de justiça e de pão, as Comunidades Eclesiais de Base possam ser, na sociedade e Nação brasileira, um instrumento de evangelização e de promoção da pessoa humana — sempre em comunhão com a realidade paroquial e com as diretrizes da Igreja local — capaz de vir encontro aos terríveis efeitos da cultura do ‘descarte’, que leva tantos irmãos e irmãs a viverem excluídos, numa exclusão que fere ‘na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora”.
15º Encontro Intereclesial das CEBs
- Realizado em Rondonópolis no Estado do Mato Grosso
- Ano de 2023, entre os dias 18 a 22 de julho
- Tema: CEBs: Igreja em saída na busca da vida plena para todos e todas
- Lema: “Vejam! Eu vou criar novo céu e uma nova terra” (Is 65)
- Participaram cerca de 1500 participantes
O Intereclesial aconteceu logo ao sofrido anos da pandemia da Covid-19 e dos seis anos de desgoverno que atingiu o país.
Participaram cerca de 1.500 lideranças de CEBs de todo o Brasil, entre as quais 48 bispos, uns 130 padres, umas 130 religiosas, alguns membros de outras igrejas cristãs, dezenas de indígenas, quilombolas, pessoas LGBTQIA+, observadores internacionais e nove grandes equipes de trabalho.
Presente no encontro rosto latino-americano, com expressões de todas as regiões do Brasil e de outros países, que proporcionou ver que a desigualdade social é fruto de um sistema capitalista neoliberal, político e financeiro, de natureza excludente e concentrador de renda. Novo céu e nova terra são horizontes dos sonhos, mas também se constituem no princípio articulador das mais diversas utopias que apontam para a grande utopia do Reino, realizado em Jesus e antecipado na vida das CEBs.
Foi constatado uma triste realidade, como: a imensa fila de desempregados e desempregadas, de trabalhadores e trabalhadoras informais, muitos/as em trabalhos análogos à escravidão; a fome, a educação e a saúde sucateadas, a falta de saneamento básico, o desmatamento e incêndios criminosos afetando os diversos biomas, a poluição das águas, do ar e da terra, destruindo a vida do planeta e das pessoas, o uso desregulado de agrotóxicos, o avanço do agronegócio e da mineração, o tráfico de entorpecentes e de pessoas, a questão urbana dominada pela violência, a presença de forças paramilitares, o armamento insano, o racismo estrutural e o alto índice de violência contra as mulheres e de feminicídios, o sistema carcerário injusto clamando pelo desencarceramento, a migração forçada e o sofrimento dos migrantes e refugiados, a criminalização dos movimentos sociais; o acesso seletivo dos meios tecnológicos, os constantes ataques aos direitos já conquistados por meio de leis que passam pelo Congresso Nacional, a exemplo de Projetos de Lei sem discussão ampla com a sociedade, a Reforma da CLT e da Previdência, e o marco temporal.
No interno da Igreja, por um lado, as CEBs se ressentem pela falta de apoio de parte significativa do clero e, por outro, sentem-se fortalecidas pelo carinho e atenção do Papa Francisco, com suas atitudes e documentos, e por um grupo de bispos, padres, religiosas e religiosos que caminham juntos, na trilha da Igreja Povo de Deus. Constatamos ainda, que há nas CEBs, grande esperança no processo sinodal em curso, fomentando um imenso sonho de comunhão e participação em todos os âmbitos eclesiais, por uma Igreja toda ministerial, superando o clericalismo.
O encontro reafirmou que as CEBs estão vivas e seus membros mantêm viva e forte a profecia da espiritualidade libertadora, reforçando a relevância das CEBs como referência para uma igreja sinodal e em saída, enfrentando os desafios sociais, políticos e ambientais que afetam as comunidades.
Assim o Papa Francisco dirigiu-se às Comunidades Eclesiais de Base do Brasil por ocasião do 15º. Em sua mensagem, ressaltou “Não se esqueçam: Igreja em saída. ‘Igreja em saída’: este é o tema. Sim, a Igreja é como a água: se a água não corre no rio, fica estagnada, adoece. Por outro lado, a Igreja quando sai, quando caminha, se sente mais forte. Sigam adiante e que a Igreja de vocês seja sempre em saída, nunca escondida”.
16º Encontro Intereclesial das CEBs
- A realizar-se no ano de 2027
- Local: Cachoeiro de Itapemirim (ES)