Lucimar Moreira Bueno(Lucia) - www.lucimarbueno.blogspot.com

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Produtores de Mariluz investem em palmito pupunha

Com o aumento do rigor na fiscalização da venda de palmito extraído de palmeiras nativas, como o açaí, indaiá e juçara, abre-se um mercado promissor para a exploração da cultura monitorada. O palmito pupunha é uma opção para os produtores, sendo utilizado para a produção de frutos, que são nutritivos e de sabor agradável. Conhecido cientificamente por Bactris gasipaes kunth, é uma palmeira perene, originária da região tropical das Américas, que até pouco tempo quase não era explorado devido à grande quantidade de espinhos em seu tronco (estipe), que é de onde se extrai o palmito.
Recentemente a cultura do pupunha passou a ser mais difundida e este palmito já é cultivado por 10 produtores no noroeste do Paraná, que realizaram o plantio da cultura entre fevereiro de 2005. A primeira colheita está acontecendo neste mês de janeiro, com revisão das próximas serem realizadas nos meses de maio e outubro.
Na região, as principais plantações de pupunha são de seis produtores rurais no município de Mariluz, que cultivam 55 mil plantas com uso da irrigação de gotejamento. O palmito pupunha tem uma vida útil de 20 anos e a cada 8 meses pode ser feito o corte da haste, pois a mesma rebrota.
O produtor Davi Lucacin, de Mariluz, afirma que não tem dúvidas de que o pupunha tomará conta do mercado. Ele que está plantando mais de 30 mil mudas em 2009 para cortar em 2011 destaca que o pupunha “é um palmito saboroso, que pode ser servido em saladas, cozido e até assado”, comentou.
De acordo com o produtor, o principal marketing desta variedade de palmito fica por conta da consciência ecológica do consumidor, que estará adquirindo um produto plantado e não retirado de palmeiras nativas, o que muitas vezes é feito de forma irregular.
O técnico da Emater/PR, Antônio de Pádua Andrade Salvado informa que “ao optar pela pupunha, o produtor e o consumidor estarão poupando as nossas florestas”. Ele ainda explica que por ser altamente resistente a pragas e doenças, o palmito dispensa o uso de defensivos agrícolas.
O trabalho de assistência aos produtores é realizado pela Emater/PR, tendo como parceiro o departamento municipal de Agricultura de Mariluz, através do diretor Edson Luiz Nogueira Alves da Silva.
João Izume também planta o palmito pupunha e neste ano está cortando mais de 15 mil hastes. A intenção do produtor agora é investir em adubação para produzir ainda mais palmito.
O palmito pupunha possui vantagens, como a precocidade do corte, e, sobretudo, a boa aceitação no mercado. O beneficiamento e a comercialização ficam por conta da Harbbel/Tropical Ltda., empresa de Antonina, que comprou a primeira produção de hastes de palmito para ser processada. No mês de maio a empresa retorna para Mariluz, para cortar novamente o palmito pupunha. O palmito industrializado será distribuído para supermercados do Paraná e também para os estados de Rio de Janeiro e São Paulo.
O produtor de pupunha Carlos M. Yamamoto, de Mariluz ressalta que “quem compra um palmito nativo, no mínimo está motivando uma agressão à natureza”, argumentou. Ele ressalta entretanto a necessidade de um maior esclarecimento da questão junto ao consumidor, sugerindo que os órgãos públicos se encarreguem da tarefa.
NUTRIENTES
O palmito pupunha é um alimento bastante nutritivo. Cada cem gramas de palmito fresco fornecem aproximadamente 26 calorias e cerca de 90% de sua composição é água. O pupunha possui também 5% de carboidratos e 2% de proteínas, além de ser uma fonte razoável de minerais, como o cálcio, fósforo e ferro. Ele ainda fornece pequenas quantidades de vitaminas C e do complexo B.

Fonte: A Tribuna do Povo